
O ministro da Imigração do Québec, Jean-François Roberge, voltou a se pronunciar publicamente após a sequência de críticas ao fim do PEQ e ao funcionamento ainda pouco claro do PSTQ. A declaração foi publicada na rede X e tem um objetivo evidente: reorganizar a narrativa do governo em um momento de forte pressão política e social.
O tom é defensivo, mas o conteúdo traz um elemento novo e relevante: a confirmação de que haverá rodadas de convites do PSTQ em 2026, com milhares de pessoas sendo chamadas.
O enquadramento escolhido pelo ministro
Roberge inicia a declaração afirmando que artigos recentes teriam divulgado informações incompletas ou errôneas sobre o fim do PEQ e sobre o novo PSTQ. A partir disso, ele tenta reposicionar o debate em quatro eixos centrais.
Primeiro, reforça que o antigo PEQ não permitia a emissão nem a renovação de permissões de trabalho. Com isso, o governo provincial busca afastar a ideia de que o encerramento do programa teria impacto direto sobre a legalidade do status de trabalho.
Em seguida, desloca a responsabilidade para o governo federal, afirmando que é Ottawa quem impede a renovação de work permits e quem estaria, neste momento, forçando a saída de trabalhadores da província. Essa afirmação dialoga diretamente com a insatisfação crescente de empregadores e municípios.
No terceiro ponto, o ministro rebate a crítica de que o PSTQ funcionaria como uma loteria. Ele afirma que o programa é baseado em seleção por critérios objetivos, comparável a modelos adotados por outros países da OCDE, e que não há aleatoriedade no processo.
Por fim, destaca que o poder de seleção do PSTQ permite priorizar trabalhadores estrangeiros temporários que já estão no território, sobretudo aqueles que atuam em setores estratégicos, vivem fora de Montréal e Laval e demonstram domínio do francês.
Leia também: Québec City e Montréal se posicionam contra o fim do PEQ
O trecho mais relevante da declaração aparece no encerramento. Roberge afirma que fará, em breve, um anúncio detalhando o plano de convites do PSTQ para 2026 e que vários milhares de pessoas que atendam aos critérios serão convidadas muito em breve.
Até aqui, o governo vinha evitando falar em números, volumes ou cronogramas. A menção explícita a “milhares de convites” representa uma mudança de postura e indica que o PSTQ deve entrar, finalmente, em fase operacional.
Ainda assim, o anúncio permanece genérico. Não há datas, não há recorte por categorias, não há referência a pontuação mínima nem a frequência das rodadas.
O que a declaração esclarece objetivamente
A fala do ministro deixa alguns pontos mais claros do que estavam até agora.
Fica confirmado que o PSTQ não será um sistema aleatório, mas um programa de seleção competitiva. Também fica evidente que o governo pretende usar o programa como instrumento de priorização regional e setorial, com foco fora de Montréal e Laval e em áreas consideradas estratégicas.
Além disso, a promessa de rodadas em 2026 indica que o governo reconhece a necessidade de dar vazão ao estoque de candidatos que já estão no território e aguardam definição.
O que continua sem resposta
Apesar do tom mais afirmativo, a declaração não resolve os principais pontos de insegurança.
Não há critérios públicos detalhados do PSTQ. Não há estrutura de pontuação divulgada. Não há confirmação de quantas rodadas ocorrerão nem de como esses “milhares” de convites serão distribuídos ao longo do ano.
Também não há qualquer referência a medidas de transição ou a reconhecimento de expectativas legítimas de quem entrou no Québec sob regras anteriores, especialmente via PEQ.
Ao atribuir a tensão atual principalmente à desinformação, o governo evita enfrentar o ponto central da crítica: a ruptura abrupta de um programa sem ponte clara para quem já estava no sistema.
Saiba mais: O fim do PEQ Trabalho e do PEQ Estudo
Conclusão
A declaração de Roberge não altera as regras em vigor, mas indica que o governo sente o peso da pressão política e social acumulada nas últimas semanas. A promessa de rodadas em 2026 é um sinal de que o PSTQ precisa começar a funcionar na prática, não apenas no discurso.
Para quem está no Québec, o recado é limitado, mas concreto: haverá convites, o programa não será aleatório e o foco seguirá regional, setorial e linguístico. Todo o resto ainda depende de regulamentação.
Até que critérios e calendários sejam publicados, o PSTQ continua sendo uma promessa em construção, não uma garantia operacional.
Fonte: @jfrobergeQc
