
Em 2024, o Canadá admitiu 483.640 novos residentes permanentes, o maior número já registrado na história do país, segundo o relatório anual do IRCC ao Parlamento. Em 2025, esse número caiu para aproximadamente 393.770, já abaixo da meta de 395.000 definida no plano de níveis. Para o período 2026 a 2028, a meta está estabilizada em 380.000 por ano.
Esses três números resumem a mudança de fase da imigração canadense. A pergunta que motiva este artigo, se o Canadá ainda quer imigrantes brasileiros, encontra resposta nos dados oficiais de admissão e nas metas publicadas pelo governo. É isso que os números mostram.
O que os dados gerais mostram
O total de residentes permanentes admitidos nos últimos anos traça uma curva clara:
- 2023: 471.808 admissões
- 2024: 483.640 admissões (recorde histórico)
- 2025: 393.770 admissões (dado preliminar do IRCC, meta era 395.000)
- 2026 a 2028: meta de 380.000 admissões por ano
A leitura objetiva é que o Canadá não reduziu a imigração permanente a zero, nem a congelou. Ele a reduziu de um pico de quase 484 mil para um patamar estável de 380 mil. Em termos percentuais, a queda de 2024 para o patamar de 2026 é de cerca de 21%. Mas o país continua admitindo mais de 380 mil novos residentes permanentes por ano, um volume superior ao de qualquer ano anterior a 2022.
O que mudou de forma mais acentuada foi o lado temporário. As admissões de residentes temporários caíram de 673.650 em 2025 para uma meta de 385.000 em 2026 e 370.000 em 2027 e 2028. O governo declarou o objetivo de reduzir a população não permanente para menos de 5% da população total até o fim de 2027. Em 1º de abril de 2025, os não residentes permanentes somavam 2.959.825, ou 7,1% da população, segundo a Statistics Canada.
Saiba mais sobre imigração canadense: Como o Canadá mudou sua estratégia de imigração em 2026
O caso do Brasil nos dados
Os números específicos do Brasil mostram uma posição relevante, mas não dominante, entre as fontes de imigração canadense.
Em 2024, o Brasil foi o 19º país de origem de novos residentes permanentes, com 5.985 admissões. Ficou à frente de países como México (6.410) e Somália (5.790), e atrás de Colômbia (8.850) e Ucrânia (6.780). Para comparação, o primeiro colocado, Índia, respondeu por 127.320 admissões no mesmo ano.
A posição brasileira já foi mais alta. Em 2021, o Brasil ocupou a 7ª posição entre os países que mais receberam residência permanente no Canadá, segundo levantamento divulgado à época. A queda de posição não significa que o Canadá deixou de admitir brasileiros; significa que outros países cresceram mais rápido em volume absoluto, especialmente em categorias humanitárias e de reassentamento.
Segundo o Itamaraty, cerca de 143 mil brasileiros vivem hoje no Canadá. Esse número inclui residentes permanentes, temporários (estudantes e trabalhadores) e brasileiros em outras condições de permanência.
O que mudou na política de imigração
O plano de níveis 2026-2028, publicado em novembro de 2025, define três mudanças estruturais:
1. Estabilização dos residentes permanentes. A meta de 380.000 por ano substitui o crescimento contínuo dos anos anteriores. O governo passou a priorizar a conversão de quem já está no país (estudantes e trabalhadores) em vez de atrair novos temporários. O IRCC estima que mais de 40% das admissões de residentes permanentes em 2025 vieram de pessoas que já estavam no Canadá.
2. Redução acentuada dos temporários. As metas de novos residentes temporários caíram quase pela metade em dois anos. Isso afeta diretamente estudantes internacionais e trabalhadores temporários, dois grupos em que o Brasil tem presença expressiva.
3. Maior peso da imigração econômica. A participação da classe econômica nas admissões deve subir de 59% para 64% no período. Isso significa que o Canadá está concentrando a seleção em candidatos com perfil profissional e capacidade de integração ao mercado de trabalho.
Há ainda um componente específico para o Quebec e para as comunidades francófonas. O plano estabelece metas de admissão de residentes permanentes francófonos fora do Quebec em 9% do total em 2026, 9,5% em 2027 e 10,5% em 2028. Para candidatos que falam francês, esse é um dado relevante de direcionamento.
O que os dados significam na prática para brasileiros
Os números permitem leituras objetivas, sem interpretação sensacionalista.
O Canadá não fechou as portas para brasileiros. O país mantém um volume anual de admissões de residentes permanentes na casa das centenas de milhares, e o Brasil segue entre os 20 principais países de origem. Não há nenhum dado oficial apontando exclusão de brasileiros.
O perfil do candidato selecionado mudou. Com o aumento do peso da classe econômica e a prioridade à conversão de quem já está no país, o candidato com experiência profissional, formação e, preferencialmente, conhecimento de inglês ou francês tem posição mais favorável do que antes. A seleção ficou mais específica, não menos aberta.
A via temporária encolheu. Quem planejava entrar no Canadá como estudante ou trabalhador temporário e depois converter para residência permanente enfrenta um cenário mais restrito, porque as metas de temporários caíram e a competição por conversão aumentou. Esse é o grupo mais impactado pela mudança.
O francês ganhou peso concreto. As metas de admissão francófona fora do Quebec são crescentes e explícitas. Para brasileiros que falam francês, ou que podem estudá-lo, há um dado objetivo de vantagem comparativa.
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FAQ
O Canadá reduziu a imigração de brasileiros?
Os dados mostram que o Brasil permanece entre os 20 principais países de origem de residentes permanentes, com 5.985 admissões em 2024. O volume total de admissões canadenses caiu do recorde de 2024 para um patamar estável, o que afeta todos os países de origem, não especificamente o Brasil.
Ainda é possível imigrar para o Canadá em 2026?
Sim. A meta para 2026 é de 380.000 residentes permanentes. A seleção, porém, está mais concentrada na classe econômica e na conversão de quem já está no país, o que favorece candidatos com perfil profissional definido.
O que mudou para quem quer ir como estudante ou trabalhador temporário?
As metas de admissão de temporários caíram de 673.650 em 2025 para 385.000 em 2026. O caminho de entrar como temporário e depois converter para residência permanente ficou mais competitivo.
Falar francês ajuda na imigração?
Os dados do plano de níveis indicam que sim. As metas de admissão francófona fora do Quebec sobem de 9% em 2026 para 10,5% em 2028, um direcionamento explícito de seleção.
O número de brasileiros no Canadá está crescendo?
Segundo o Itamaraty, cerca de 143 mil brasileiros vivem no país. O dado inclui residentes permanentes e temporários.
Referências oficiais
1. IRCC, 2025 Annual Report to Parliament on Immigration (dados consolidados de 2024): Fonte dos números: 483.640 residentes permanentes em 2024, 281.615 na classe econômica, 134.980 via Express Entry, e as tabelas de países de origem por categoria.
2. IRCC, Immigration Levels Plan 2026–2028: Fonte das metas: 380.000 residentes permanentes por ano, redução de temporários para 385.000 (2026) e 370.000 (2027–2028), e metas francófonas de 9% a 10,5%.
3. IRCC, Supplementary Information for the 2025–2027 Immigration Levels Plan: Fonte da estimativa de que mais de 40% das admissões de 2025 viriam de estudantes e trabalhadores já no Canadá.
4. IRCC, Permanent Residents – Monthly Updates (dados preliminares 2025 e 2026): Fonte dos dados preliminares: 393.770 admissões em 2025 e 147.260 até maio de 2026 (queda de 13% na comparação anual).
5. Statistics Canada, Canada’s population estimates, primeiro trimestre de 2025: Fonte do dado de 2.959.825 não residentes permanentes (7,1% da população) em 1º de abril de 2025.
6. IRCC / CanadaVisa, Top 20 Source Countries of New Permanent Residents in 2024 Fonte do ranking: Brasil em 19º lugar com 5.985 admissões em 2024.
7. BBC News Brasil, “Imigração no Canadá: sonho de viver no país virou ‘tormento’ para brasileiros?”: Fonte da estimativa do Itamaraty de 143 mil brasileiros vivendo no Canadá.
Sobre o autor
Rafael Alencar é consultor de imigração regulamentado pelo Quebec e acompanha diariamente as atualizações dos programas federais e provinciais de imigração canadense. Seu trabalho é orientar candidatos e famílias na construção de estratégias migratórias baseadas na legislação vigente e nas políticas oficiais do Canadá.
